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Fim da escala 6x1: por que a conta não é só do RH

Fim da escala 6x1: por que a conta não é só do RH

Fim da escala 6x1: por que a conta não é só do RH

Adaptar a empresa ao fim da escala 6x1 exige uma abordagem multidisciplinar e estratégica. Finanças, operações, tecnologia e liderança precisam reavaliar custos, processos e capacidade produtiva em conjunto, para transformar um desafio operacional em ganho de eficiência sem sobrecarregar as equipes.

A conta da 6x1 não pertence só ao RH

Sempre que uma mudança envolve jornada de trabalho, escalas, contratos e funcionários, as empresas costumam reagir da mesma forma: chamam Recursos Humanos. Em seguida entra o Jurídico, responsável por interpretar a legislação e definir os limites do que pode ou não ser feito. As duas áreas precisam estar na mesa, sem dúvida. Mas entregar a elas toda a responsabilidade pela adaptação ao fim da 6x1 significa enxergar apenas uma pequena parte do problema.

O fim da escala 6x1 é um desafio para toda a empresa

Estamos diante de uma mudança capaz de alterar custo de mão de obra, capacidade produtiva, horário de funcionamento, nível de serviço, investimentos em tecnologia, necessidade de capital, preço e margem. Por isso, a discussão não pertence a uma área específica. Ela pertence à empresa como um todo.

O papel da liderança executiva na transição de jornada

O CFO precisa participar porque qualquer alteração relevante no número de horas disponíveis pode afetar diretamente custos e margens. O COO precisa estar envolvido porque será preciso redesenhar capacidade, processos, turnos e operação. A área de Tecnologia deve avaliar quais atividades podem ser automatizadas e quanto investimento isso vai exigir. Comercial e atendimento precisam entender os impactos sobre clientes e sobre os horários de maior demanda.

O RH terá de redesenhar jornadas, dimensionamento, políticas e, eventualmente, contratações. O Jurídico precisará garantir que tudo isso aconteça dentro das novas regras. E, acima de todos, CEO e conselho devem tratar o assunto como uma transformação do modelo operacional, e não como uma simples adequação trabalhista.

Por que a resposta não deve ser apenas contratar mais pessoas

Essa diferença de enquadramento é decisiva, porque problemas entregues à área errada tendem a receber soluções limitadas àquela área. Se a empresa tratar o fim da 6x1 essencialmente como um tema de Recursos Humanos, a tendência será reorganizar escalas, calcular headcount adicional e contratar. Se tratar apenas como questão jurídica, a conversa vai girar em torno da interpretação da norma, das exceções e das possibilidades de negociação. A empresa vai precisar de tudo isso, mas nenhuma dessas abordagens, sozinha, resolve o principal desafio econômico: manter a capacidade da operação com uma quantidade diferente de horas humanas.

Em algumas operações, contratar mais pessoas será inevitável. Seria ingênuo afirmar que eficiência e tecnologia vão compensar toda redução de jornada em qualquer setor. Uma empresa que depende de presença física contínua tem limites muito diferentes de uma organização baseada em trabalho intelectual. O erro não está em contratar. Está em chegar à contratação antes de analisar todas as outras variáveis.

O CFO frente ao fim da escala 6x1 e à alocação de recursos

É exatamente por isso que o CFO deveria olhar para esse tema antes que ele apareça na folha de pagamento. Existem vários cenários possíveis, e cada um deles gera uma empresa diferente. Contratar mais pessoas preserva a capacidade, mas aumenta o custo fixo. Automatizar exige capital agora para, potencialmente, reduzir custos no futuro. Reorganizar horários pode melhorar a eficiência, mas eventualmente afetar clientes. Reduzir determinadas atividades pode liberar capacidade, mas exige escolhas gerenciais. Não há uma resposta universal, porque se trata de uma decisão de alocação de recursos.

O desafio operacional do COO na reestruturação de processos

Para o COO, talvez esteja a parte mais complexa. A escala é apenas o resultado visível de um modelo operacional. Alterá-la sem rever o que existe por trás significa tentar manter a mesma capacidade com recursos diferentes. Algumas empresas vão conseguir isso com ajustes relativamente pequenos. Outras precisarão redesenhar processos inteiros. Essa análise precisa começar antes que a urgência transforme qualquer solução possível na única solução disponível. Vale a pena, inclusive, revisar o próprio modelo de produtividade e eficiência operacional antes de mexer nas escalas.

Impactos do fim da escala 6x1 na visão de futuro dos conselhos

Há também uma dimensão estratégica que os conselhos deveriam considerar. Dependendo do setor, mudanças na jornada podem alterar as premissas usadas em orçamento, expansão, abertura de unidades e retorno sobre investimentos. Projetos que pareciam economicamente atraentes sob determinado custo de mão de obra podem precisar de um novo cálculo. Investimentos em automação, cujo retorno parecia distante, podem se tornar mais interessantes. Unidades com baixa produtividade podem deixar de fazer sentido. Ou seja, uma mudança trabalhista pode alterar decisões de capital que, à primeira vista, não tinham nenhuma relação com Recursos Humanos.

A verdadeira contribuição do RH para evitar a sobrecarga

Talvez a maior contribuição do RH nessa discussão seja justamente impedir que a empresa trate pessoas como simples variável de ajuste. Pressionar equipes para entregar em 40 horas o que já mal conseguiam entregar em 44 não gera ganho de produtividade, apenas comprime a carga. Se a transformação vier acompanhada de mais intensidade, mais cobrança, menos pausas e sobrecarga, a empresa pode até economizar horas no papel, mas vai pagar a diferença em absenteísmo, rotatividade e perda de qualidade.

Como montar uma mesa multidisciplinar para a mudança

Preparar-se para uma realidade pós-6x1 exige, portanto, uma mesa maior. Finanças, operações, tecnologia, pessoas, jurídico e negócio precisam trabalhar sobre os mesmos cenários, porque nenhuma dessas áreas, isoladamente, enxerga a empresa inteira. O RH certamente terá muito trabalho pela frente, mas talvez uma das primeiras tarefas seja devolver, com educação, ao restante da organização uma conta que nunca foi exclusivamente sua.

Redesenhar estruturas, dimensionar equipes e trazer as lideranças certas para conduzir essa transição são etapas em que a e-volve.one apoia seus clientes, com experiência em reestruturação organizacional e recrutamento executivo.

Este conteúdo é uma adaptação do artigo de opinião publicado originalmente por Diego Rondon no RH Pra Você.

Diego Rondon
Escrito por Diego Rondon CEO e Cofundador da e-volve.one

Diego Rondon, que já atuou como uma das lideranças-chave de RH na 99, primeiro unicórnio brasileiro, apoiando ainda mais de 10 unicórnios nacionais em processos de gestão de talentos, é conselheiro de empresas com foco em RH, headhunter especializado na formação de equipes de alta performance e referência em lideranças para projetos e processos de excelência. CEO e cofundador da e-volve.one – consultoria especializada em estratégia de crescimento com foco em RH por meio de soluções que usam tecnologia para desenvolvimento das melhores práticas da área de recursos humanos, atua há mais de 20 anos em posições de liderança estratégica, com foco em gestão empresarial, governança corporativa e reestruturação de negócios. É investidor e empreendedor, tendo liderado transformações relevantes em conselhos nos últimos seis anos, incluindo um processo de turnaround financeiro com eliminação de passivos, renegociação de contratos e recuperação da sustentabilidade. Desde 2023, é membro independente do conselho de grandes fintechs, contribuindo diretamente para a evolução de um modelo de gestão mais ágil e orientado a resultados. Com formação para conselheiros pela FDC - Fundação Dom Cabral - Formação para Conselheiro, possui sólida expertise em planejamento tributário, estruturação de conselhos e negociação com investidores. Também é cofundador da Chiefs.Group, HRtech de Open Talent.

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