Conteúdos e materiais

Fim da escala 6x1 na operação: por que redesenhar a jornada começa antes da escala

Fim da escala 6x1 na operação: por que redesenhar a jornada começa antes da escala

Fim da escala 6x1 na operação: por que redesenhar a jornada começa antes da escala

Preparar a empresa para o fim da escala 6x1 na operação exige mapear a capacidade produtiva, rever processos e avaliar onde a automação realmente libera tempo. Em vez de alterar horários às pressas, o caminho mais seguro é simular novos turnos em projetos piloto e reorganizar prioridades operacionais para preservar resultados.

Quem começar pela escala vai chegar atrasado

Quando uma nova regra trabalhista entra em vigor, é natural que as empresas comecem por aquilo que precisa ser alterado imediatamente. Contratos, sistemas, escalas, controles de ponto e políticas internas entram rápido na agenda porque têm prazo, consequência jurídica e responsáveis bem definidos. No caso do fim da 6x1, porém, começar a preparação pela escala pode significar começar tarde demais.

Como já discutimos ao mostrar por que a conta da 6x1 não é só do RH, a mudança envolve finanças, operações, tecnologia e liderança. E é justamente na operação que boa parte das respostas precisa ser construída.

Mapeamento operacional antes da alteração de jornada

A escala deveria ser uma das últimas consequências de um processo que começa muito antes, na estratégia e na operação. Antes de decidir como distribuir pessoas dentro de uma jornada diferente, a empresa precisa entender qual capacidade pretende preservar, onde estão seus gargalos, quais processos podem mudar, quanto consegue automatizar, onde existe desperdício e qual nível de serviço deseja continuar oferecendo. Sem essas respostas, a nova escala será apenas uma tentativa de encaixar a empresa antiga dentro de uma regra nova.

O primeiro movimento, portanto, é construir uma fotografia honesta da operação atual. Não aquela apresentada no orçamento ou no organograma, mas a operação como ela realmente funciona: quantas horas são utilizadas, onde estão concentradas, quanto se gasta com horas extras, quais áreas apresentam maior absenteísmo, onde a rotatividade é elevada, quais turnos operam próximos do limite e quais mantêm capacidade ociosa. Empresas que não conhecem esses números terão dificuldade para compreender o impacto real de qualquer redução de jornada.

Reavaliação de processos e eliminação de gargalos

Depois vem uma etapa mais desconfortável: questionar o trabalho existente. Todo processo deveria justificar o tempo humano que consome. Isso não significa criar uma cruzada corporativa para eliminar atividades, mas reconhecer que o tempo das pessoas é um dos recursos mais caros de qualquer organização e, com frequência, um dos menos administrados.

Processos podem ser simplificados, relatórios podem desaparecer, aprovações podem ser reduzidas, sistemas podem ser integrados e tarefas repetitivas podem ser automatizadas. Somente depois desse exercício será possível saber qual é a verdadeira necessidade de mão de obra. Para aprofundar essa etapa, vale conhecer um guia de gestão de eficiência operacional para a redução da jornada.

Automação e tecnologia para ganho de capacidade

A tecnologia entra em seguida, e não como solução mágica. As empresas precisam identificar as atividades em que a automação efetivamente libera capacidade e calcular o retorno sobre o investimento. Em alguns casos, a inteligência artificial permitirá reduzir horas gastas em tarefas administrativas. Em outros, equipamentos, autosserviço ou integração de sistemas terão impacto maior.

Haverá também atividades em que nenhuma automação economicamente viável estará disponível, e a necessidade de pessoas permanecerá praticamente intacta. Uma análise madura aceita todas essas possibilidades sem tentar provar antecipadamente qual delas é mais conveniente. Afinal, como mostramos em outro artigo, a inteligência artificial não transforma uma empresa que continua trabalhando do mesmo jeito.

Testes piloto e simulação de novas jornadas de trabalho

Com a operação redesenhada, começa a fazer sentido simular jornadas. E aqui existe uma enorme vantagem em não esperar a obrigação legal. As empresas podem testar novos horários em unidades específicas e acompanhar produtividade, nível de serviço, absenteísmo, satisfação dos funcionários, vendas e custos.

Um piloto pequeno e controlado custa muito menos do que uma mudança nacional feita às pressas. Mais importante, ele transforma opinião em evidência. Aquilo que parecia impossível pode funcionar, e aquilo que parecia simples pode produzir consequências inesperadas.

Dimensionamento de quadro e impacto orçamentário

Somente depois desses testes o dimensionamento do quadro se torna realmente confiável. Nesse momento, a empresa saberá quais horas conseguiu eliminar, quais conseguiu automatizar, quais reorganizou e quais continuam indispensáveis. Se houver necessidade de contratação, ela aparecerá como consequência de uma operação já redesenhada, e não como tentativa de preservar automaticamente aquilo que existia.

Essa preparação também precisa entrar no orçamento. Mudanças de jornada podem afetar folha, benefícios, recrutamento, treinamento, tecnologia, instalações e capital de giro. Dependendo da atividade, podem influenciar preço e margem. Esperar a legislação produzir efeito para incluir esses impactos no planejamento financeiro significa descobrir o problema quando boa parte das alternativas já desapareceu.

O papel da liderança na produtividade operacional

Há ainda uma variável que nenhuma planilha resolve: liderança. Reduzir o tempo disponível exige prioridades melhores, decisões mais rápidas e gestores capazes de distinguir urgência de importância. Uma empresa pode investir milhões em automação e perder boa parte desse ganho porque continua fazendo reuniões desnecessárias, mudando prioridades no meio da semana e submetendo decisões simples a cadeias intermináveis de aprovação. Produtividade não é apenas uma propriedade do processo. É também consequência da qualidade da gestão.

Por isso, os próximos meses podem ser muito mais valiosos do que parecem. Enquanto parte do mercado continua discutindo se a mudança deveria ou não acontecer, as empresas mais preparadas podem usar esse período para medir, experimentar, automatizar e aprender. Quando chegar o momento de alterar definitivamente suas escalas, elas não estarão tentando descobrir o que fazer. Estarão apenas implementando aquilo que já testaram.

Vencedores e perdedores da nova jornada

No final, a diferença entre vencedores e perdedores dessa transição talvez não esteja no número de horas retiradas da semana, porque ele será semelhante para todos os que estiverem submetidos à mesma regra. Estará naquilo que cada empresa fizer com as horas restantes.

As organizações que tentarem simplesmente encaixar 44 horas de processos dentro de 40 provavelmente transformarão a mudança em custo, sobrecarga ou ambos. As que usarem esse momento para rever como trabalham poderão descobrir algo muito mais valioso: parte das horas que hoje parecem indispensáveis só existe porque ninguém havia sido obrigado, até agora, a imaginar a empresa sem elas.

Redesenhar a operação, dimensionar equipes e contar com lideranças preparadas para conduzir a transição são etapas em que a e-volve.one apoia seus clientes, seja por meio da consultoria de transformação empresarial, seja na contratação de gestores como um diretor de operações ou um gerente de operações.

Este conteúdo é uma adaptação do artigo de opinião publicado originalmente por Diego Rondon no RH Pra Você.

Diego Rondon
Escrito por Diego Rondon CEO e Cofundador da e-volve.one

Diego Rondon, que já atuou como uma das lideranças-chave de RH na 99, primeiro unicórnio brasileiro, apoiando ainda mais de 10 unicórnios nacionais em processos de gestão de talentos, é conselheiro de empresas com foco em RH, headhunter especializado na formação de equipes de alta performance e referência em lideranças para projetos e processos de excelência. CEO e cofundador da e-volve.one – consultoria especializada em estratégia de crescimento com foco em RH por meio de soluções que usam tecnologia para desenvolvimento das melhores práticas da área de recursos humanos, atua há mais de 20 anos em posições de liderança estratégica, com foco em gestão empresarial, governança corporativa e reestruturação de negócios. É investidor e empreendedor, tendo liderado transformações relevantes em conselhos nos últimos seis anos, incluindo um processo de turnaround financeiro com eliminação de passivos, renegociação de contratos e recuperação da sustentabilidade. Desde 2023, é membro independente do conselho de grandes fintechs, contribuindo diretamente para a evolução de um modelo de gestão mais ágil e orientado a resultados. Com formação para conselheiros pela FDC - Fundação Dom Cabral - Formação para Conselheiro, possui sólida expertise em planejamento tributário, estruturação de conselhos e negociação com investidores. Também é cofundador da Chiefs.Group, HRtech de Open Talent.

Clique para Ligar
Fale por WhatsApp
Fale por WhatsApp