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Vagas de tecnologia em alta em 2026: quais profissionais estão sendo mais disputados pelo mercado e por quê
Vagas de tecnologia em alta em 2026: quais profissionais estão sendo mais disputados pelo mercado e por quê
Durante muito tempo, falar sobre mercado de tecnologia significava falar sobre falta de desenvolvedores. Empresas cresciam, produtos digitais ganhavam espaço e a disputa por engenheiros de software se intensificava.
Em 2026, essa conversa ficou mais complexa. Desenvolvimento continua sendo uma área relevante, mas inteligência artificial, dados, cibersegurança, cloud e integração entre tecnologia e negócio passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas estratégias das empresas e, consequentemente, nas decisões de contratação.
A inteligência artificial é provavelmente o exemplo mais evidente dessa transformação.
O Barômetro de Empregos de IA 2026 da PwC analisou mais de um bilhão de anúncios de vagas em seis continentes e identificou uma aceleração significativa no Brasil. Entre 2024 e 2025, a participação das vagas que exigem competências relacionadas à inteligência artificial passou de 1,1% para 3,6% do mercado brasileiro, o equivalente a quase 119 mil novas oportunidades.
Mas talvez o dado mais interessante não seja o número de vagas.
As competências exigidas nas ocupações mais expostas à inteligência artificial estão mudando mais de duas vezes mais rápido do que nas menos expostas.
Isso muda bastante a maneira como precisamos olhar para as vagas de tecnologia em alta.
Não estamos apenas assistindo ao surgimento de novos cargos. Estamos vendo funções existentes serem redesenhadas, novas especialidades ganharem importância e competências que há poucos anos eram diferenciais se tornarem parte da expectativa básica de determinadas posições.
Para empresas, portanto, acompanhar quais profissionais estão sendo mais disputados importa. Mas entender por que essas vagas estão crescendo importa ainda mais.
Quais são as vagas de tecnologia em alta em 2026?
Não existe uma única lista capaz de representar todo o mercado de tecnologia. A demanda varia conforme setor, estágio da empresa, maturidade tecnológica e estratégia de negócio.
Ainda assim, alguns movimentos aparecem de maneira consistente.
Inteligência artificial e machine learning ocupam o centro das discussões, enquanto dados, segurança da informação, infraestrutura em nuvem, engenharia de software e posições que aproximam tecnologia das áreas de negócio continuam ganhando relevância.
Mais interessante do que observar os títulos é entender o problema que cada uma dessas funções passou a resolver.
1. Engenheiros de Inteligência Artificial e Machine Learning
Poucas áreas ganharam tanta atenção nos últimos anos quanto à inteligência artificial.
Empresas estão incorporando modelos generativos a produtos, automatizando processos, criando agentes, desenvolvendo sistemas de recomendação e utilizando IA para aumentar a produtividade de equipes inteiras.
Isso elevou a demanda por profissionais capazes de construir e implementar essas soluções.
Engenheiros de IA, Machine Learning Engineers e especialistas em modelos de linguagem estão entre os perfis que passaram a aparecer com maior frequência nas estratégias de contratação de empresas de tecnologia e também de organizações tradicionais em processo de transformação digital.
Mas existe uma diferença importante entre usar inteligência artificial e desenvolver inteligência artificial.
O próprio Barômetro da PwC mostra que, em muitos setores brasileiros, a maior parte das vagas relacionadas à tecnologia está concentrada na adoção da IA, e não na construção dos modelos.
No varejo, por exemplo, aproximadamente 97% das posições relacionadas à IA são voltadas ao uso da tecnologia. Em energia, utilities e recursos naturais, essa proporção chega a 92%.
Isso sugere que o impacto da IA no mercado de trabalho será muito maior do que o número de vagas com “Inteligência Artificial” no título.
2. Engenheiros de dados e profissionais de Analytics
Antes de uma empresa conseguir fazer inteligência artificial de maneira consistente, existe uma questão menos glamourosa para resolver: dados.
Modelos precisam de informação disponível, organizada, confiável e acessível. Quando a infraestrutura de dados é ruim, boa parte da promessa de IA encontra rapidamente um limite.
Por isso, Data Engineers, Data Architects, Analytics Engineers e outros especialistas ligados à infraestrutura e ao uso estratégico de dados continuam ocupando posições importantes no mercado.
A função dessas pessoas também está mudando.
Durante muito tempo, empresas concentraram esforços em criar dashboards e consolidar informações históricas. Hoje, dados começam a participar diretamente da operação de produtos, automações, sistemas de decisão e aplicações de inteligência artificial.
Isso aumenta a importância de profissionais capazes não apenas de movimentar dados entre sistemas, mas de entender governança, qualidade, arquitetura e contexto de negócio.
3. Especialistas em cibersegurança
Quanto mais digital uma empresa se torna, maior sua superfície de risco.
Aplicações em nuvem, APIs, trabalho remoto, integrações entre sistemas, dispositivos conectados e inteligência artificial aumentaram significativamente a quantidade de pontos que precisam ser protegidos.
Nesse contexto, segurança da informação deixou há bastante tempo de ser apenas uma preocupação da área de infraestrutura.
Security Engineers, especialistas em Cloud Security, Application Security, Identity & Access Management e profissionais de resposta a incidentes passam a participar de decisões cada vez mais estratégicas.
Existe também uma mudança de percepção importante.
Segurança costumava aparecer em muitas organizações no final do processo: primeiro o produto era construído, depois alguém verificava se estava seguro.
Em empresas tecnologicamente mais maduras, essa lógica está sendo invertida. Segurança passa a fazer parte da arquitetura e do desenvolvimento desde o início.
Isso exige profissionais que consigam conversar com engenharia, produto, infraestrutura e negócio — e não apenas dominar ferramentas específicas de segurança.
4. Cloud Engineers, DevOps e Platform Engineers
A migração para a nuvem já não é exatamente uma novidade. O que mudou foi a complexidade das operações construídas sobre ela.
Empresas precisam administrar custos, disponibilidade, escalabilidade, segurança, automação e experiência dos próprios desenvolvedores.
É nesse contexto que funções relacionadas a Cloud, DevOps, Site Reliability Engineering e Platform Engineering continuam relevantes.
O desafio deixou de ser simplesmente colocar uma aplicação na nuvem.
Agora é preciso construir uma infraestrutura capaz de crescer sem transformar cada aumento de escala em aumento desproporcional de custo ou complexidade.
Isso explica por que profissionais capazes de combinar arquitetura, automação, observabilidade, segurança e eficiência operacional permanecem valiosos.
5. Engenheiros e desenvolvedores de software
Seria um erro interpretar o crescimento da inteligência artificial como o desaparecimento da demanda por desenvolvimento.
O que está mudando é a natureza do trabalho.
Ferramentas de IA já conseguem gerar código, documentar sistemas, sugerir testes, identificar erros e acelerar tarefas que antes consumiam muitas horas de desenvolvimento.
Isso aumenta a produtividade, mas também eleva a expectativa sobre o profissional.
Se escrever determinada função se torna mais rápido, cresce proporcionalmente a importância de saber o que deve ser construído, como aquela solução deve ser arquitetada e quais consequências técnicas uma decisão terá no futuro.
A capacidade de programar continua fundamental. Mas arquitetura, qualidade de código, entendimento de produto, capacidade de revisão e tomada de decisão ganham peso.
O mercado não necessariamente deixa de precisar de engenheiros. Ele passa a esperar mais deles.
6. Profissionais que conectam produto, tecnologia e negócio
Existe ainda uma categoria menos óbvia entre as vagas de tecnologia em alta: profissionais capazes de traduzir tecnologia em resultado de negócio.
Product Managers com boa compreensão técnica, especialistas em automação, profissionais de implementação de IA e lideranças capazes de integrar produto, dados e engenharia ocupam justamente esse espaço.
Isso acontece porque muitas empresas já não enfrentam um problema de acesso à tecnologia, ferramentas existem, modelos existem, infraestrutura existe.
O problema passa a ser decidir onde aplicar tudo isso de maneira economicamente relevante.
E essa talvez seja uma das mudanças mais importantes do mercado.
A inteligência artificial está criando vagas, mas principalmente transformando as que já existem
Quando uma tecnologia nova surge, temos a tendência de procurar os novos cargos que ela criará.
Com a inteligência artificial, essa leitura pode ser limitada.
A transformação mais relevante provavelmente acontecerá dentro das profissões que já existem.
Marketing começa a utilizar IA para produção, segmentação e análise. Times comerciais utilizam ferramentas para pesquisa e preparação de reuniões. Desenvolvedores usam copilotos para escrever e revisar código. Financeiros automatizam análises. Recrutadores utilizam tecnologia para localizar e organizar candidatos.
O fenômeno aparece nos dados.
Segundo a PwC, aproximadamente uma em cada oito vagas abertas no setor brasileiro de tecnologia, mídia e telecomunicações em 2025 já estava relacionada à IA. Em outros segmentos, entretanto, a predominância é de vagas para utilizar a tecnologia, não desenvolvê-la.
Isso significa que perguntar “quais profissões serão criadas pela IA?” talvez seja menos útil do que perguntar:
Como a IA mudará as competências exigidas dentro das profissões que já temos?
Para recrutamento, essa diferença é enorme.
Uma descrição de cargo construída dois anos atrás pode continuar com o mesmo título e já não representar adequadamente o profissional que a empresa precisa contratar hoje.
O profissional mais disputado não é necessariamente quem conhece mais ferramentas
Toda mudança tecnológica cria uma tentação: transformar contratação em uma lista cada vez maior de conhecimentos técnicos.
Quando uma tecnologia nova aparece, adicionamos mais uma linha.
O resultado são descrições de vagas procurando profissionais que dominem tantas ferramentas, linguagens e ambientes que praticamente ninguém no mercado corresponde integralmente ao perfil.
Existe um problema adicional. Ferramentas mudam rápido.
A PwC identificou que as competências exigidas nas funções mais expostas à IA estão se transformando em velocidade mais de duas vezes superior à das funções menos expostas.
Se contratamos alguém exclusivamente pelo domínio da ferramenta atual, podemos estar supervalorizando uma competência cujo peso será diferente dentro de dois anos.
Isso não significa que conhecimento técnico deixou de importar. Significa que precisamos separar competências fundamentais de competências circunstanciais.
Um excelente engenheiro precisa compreender arquitetura, lógica, sistemas e qualidade de software. A ferramenta utilizada para executar isso pode mudar.
Um profissional de dados precisa entender estrutura, qualidade e interpretação da informação. A plataforma específica também pode mudar.
Quanto mais rápido o mercado evolui, mais importante se torna avaliar a capacidade de aprender.
Competências humanas ficam mais importantes justamente porque a tecnologia ficou melhor
Existe um paradoxo interessante nesse movimento.
Quanto mais capazes ficam as ferramentas de inteligência artificial, maior tende a ser o valor de determinadas competências humanas.
O estudo da PwC identificou que novas tarefas incorporadas às funções mais expostas à IA têm 2,5 vezes mais probabilidade de depender de competências como empatia, julgamento e criatividade.
Isso ajuda a explicar por que o perfil dos profissionais mais procurados está mudando.
Empresas não precisam apenas de pessoas capazes de operar ferramentas. Precisam de profissionais capazes de decidir quando utilizá-las, interpretar seus resultados, questionar respostas, entender contexto e assumir responsabilidade pelas decisões.
Para posições de maior senioridade, isso se torna ainda mais evidente.
Um CTO não precisa ser a pessoa que escreve o melhor código da empresa. Precisa construir uma organização tecnológica, formar times, tomar decisões de arquitetura, equilibrar investimento e retorno e traduzir questões técnicas para o restante da liderança.
O mesmo raciocínio começa a aparecer em outros níveis da carreira.
Por que algumas vagas de tecnologia continuam tão difíceis de preencher?
Existe uma aparente contradição no mercado atual.
Ferramentas de recrutamento evoluíram. LinkedIn, bancos de talentos, automações e inteligência artificial tornaram muito mais fácil localizar profissionais.
Mesmo assim, determinadas vagas continuam difíceis de fechar.Isso acontece porque encontrar candidatos e encontrar o profissional certo são problemas diferentes.
Quando uma posição exige experiência específica, maturidade técnica, compreensão de determinado contexto de negócio e capacidade para trabalhar em uma organização com características particulares, o universo de candidatos diminui rapidamente.
Além disso, profissionais especializados costumam ter mais alternativas. Processos seletivos excessivamente longos, descrições pouco claras, remuneração desalinhada e semanas de silêncio entre uma etapa e outra passam a ter um custo maior justamente nas posições mais disputadas.
O candidato não necessariamente saiu do mercado. Talvez tenha simplesmente aceitado outra proposta antes de a empresa terminar de decidir.
O erro de procurar um “unicórnio” para cada nova tecnologia. Quando empresas ainda não compreendem completamente uma nova necessidade, existe uma tendência natural de tentar concentrar tudo em uma única contratação.
Queremos alguém que conheça IA, engenharia de dados, cloud, segurança, produto, tenha excelente comunicação, dez anos de experiência e, de preferência, já tenha resolvido exatamente o mesmo problema anteriormente. Essa pessoa pode até existir. A pergunta é se precisamos dela.
Uma boa contratação de tecnologia começa antes da busca. Precisamos entender qual problema aquela pessoa deverá resolver, quais competências são indispensáveis desde o primeiro dia e quais podem ser desenvolvidas ou complementadas pelo restante do time. Sem essa clareza, requisitos começam a se acumular. E quanto maior a lista, menor o mercado disponível.
Como contratar profissionais para as áreas de tecnologia em alta
Contratar bem em um mercado que muda rapidamente exige abandonar parte da lógica baseada apenas em checklist.
O primeiro passo é entender o problema de negócio.
A empresa precisa desenvolver uma capacidade interna de IA ou integrar soluções existentes? Precisa de um especialista em segurança ou de alguém capaz de estruturar toda a função? Está contratando um engenheiro para manter uma arquitetura estável ou para reconstruí-la?
O mesmo título pode esconder necessidades completamente diferentes.
Depois disso, precisamos separar o que é essencial do que é desejável.
Nem toda tecnologia utilizada pela empresa precisa aparecer como requisito eliminatório. Profissionais tecnicamente sólidos conseguem aprender novas ferramentas. O que normalmente leva muito mais tempo para desenvolver é profundidade de raciocínio, capacidade de resolver problemas complexos e maturidade para tomar boas decisões.
Também é necessário avaliar o processo seletivo. Nas vagas mais disputadas, velocidade importa. Isso não significa avaliar menos. Significa retirar etapas que não acrescentam informação suficiente para justificar o tempo que consomem.
Uma entrevista bem estruturada pode revelar mais do que três conversas genéricas.
Um case conectado ao problema real da empresa pode mostrar mais do que um teste padronizado.
Uma boa referência profissional pode esclarecer dimensões que nenhuma entrevista conseguiu validar. O objetivo não deveria ser criar o processo mais completo possível. Deveria ser obter informação suficiente para tomar uma boa decisão com o menor desperdício possível para empresa e candidato.
As vagas vão mudar mais rápido do que os organogramas.
Talvez essa seja a principal conclusão ao observar as vagas de tecnologia em alta em 2026.
Novos títulos continuarão aparecendo. Algumas especialidades crescerão rapidamente. Outras serão incorporadas a funções existentes. Ferramentas consideradas indispensáveis hoje provavelmente perderão espaço para tecnologias que ainda nem fazem parte da maioria das descrições de vaga.
Por isso, empresas que estruturam sua estratégia de talentos apenas olhando para cargos correm o risco de perseguir o mercado em vez de antecipá-lo.
A pergunta mais interessante deixa de ser:
quais vagas de tecnologia estão em alta?
E passa a ser:
quais capacidades tecnológicas serão necessárias para executar nossa estratégia nos próximos anos?
Essa mudança parece semântica, mas transforma completamente a contratação.
Quando sabemos qual problema queremos resolver, conseguimos decidir quais competências precisam estar dentro da empresa, quais podem ser desenvolvidas internamente, quais devem ser contratadas e qual nível de senioridade realmente faz sentido.
Os nomes dos cargos continuarão mudando.
As tecnologias também.
A capacidade de identificar quem consegue aprender, decidir e produzir resultado em ambientes de transformação provavelmente permanecerá muito mais valiosa.
E talvez seja justamente esse o profissional de tecnologia mais disputado do mercado.
Referências bibliográficas
- PwC Brasil. Barômetro de Empregos de IA 2026. PricewaterhouseCoopers Brasil, 2026. Estudo sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, competências e criação de vagas, com dados específicos do Brasil. Acessar estudo da PwC
- LinkedIn Notícias. Empregos em alta 2026: os 25 cargos que mais crescem no Brasil. LinkedIn, 2026. Levantamento utilizado como referência para tendências de crescimento de cargos, incluindo Engenharia de Inteligência Artificial. Acessar levantamento do LinkedIn
- Forbes Brasil. Quase 7 em cada 10 empresas no Brasil vão aumentar contratações de tecnologia em 2026. Forbes Brasil, 2026. Referência sobre perspectivas de contratação e demanda por profissionais de tecnologia no mercado brasileiro. Acessar matéria da Forbes Brasil
- Exame. Quais profissionais estão em falta no Brasil com o avanço da inteligência artificial? Exame, 2026. Conteúdo baseado em pesquisa Ford/Datafolha sobre a dificuldade das empresas brasileiras para encontrar profissionais qualificados em tecnologia. Acessar matéria da Exame
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