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Talent Acquisition não é igual para Tech, Produto, Dados, Design e C-level

Talent Acquisition não é igual para Tech, Produto, Dados, Design e C-level

Talent Acquisition não é igual para Tech, Produto, Dados, Design e C-level

Recrutamento especializado exige compreensão do contexto da função, não apenas domínio do processo.

Uma das armadilhas mais comuns em recrutamento é imaginar que o mesmo processo funciona igualmente bem para qualquer posição. A estrutura básica pode até ser parecida - alinhamento, atração, avaliação, entrevistas e contratação -, mas a forma de encontrar e avaliar um desenvolvedor, um Product Manager, um profissional de Dados, um Designer ou um executivo Clevel pode ser completamente diferente.

Ao longo da minha trajetória em tecnologia, Recursos Humanos, Talent Acquisition e liderança, uma das coisas que mais ficou clara para mim é que recrutamento especializado exige compreensão do contexto da função. Não basta dominar ferramentas de sourcing ou conduzir boas entrevistas. É preciso entender quais sinais realmente indicam capacidade para entregar naquele tipo de posição.

Esse talvez seja um dos principais desafios de uma operação de Talent Acquisition: construir processos consistentes sem transformar posições diferentes em avaliações iguais.

Recrutamento Tech exige compreender o problema por trás da stack

Em tecnologia, o currículo costuma trazer uma enorme quantidade de termos: linguagens, frameworks, cloud, bancos de dados, arquiteturas e ferramentas. O risco é transformar essa quantidade de informação em matching de palavras-chave.

Ter Java no currículo não explica, por si só, o nível de profundidade daquele profissional. Da mesma forma, anos de experiência não representam automaticamente senioridade. A avaliação precisa avançar para perguntas mais relevantes: que tipo de sistema essa pessoa construiu? Qual era a escala? Que decisões tomou? Quanto de autonomia possuía? Participou apenas da implementação ou também influenciou arquitetura? Como lidou com problemas de performance, disponibilidade ou legado?

A tecnologia utilizada é um sinal. O contexto em que ela foi utilizada costuma dizer muito mais.

Produto exige avaliar capacidade de decisão

Em Produto, o desafio muda. Um bom Product Manager não deveria ser avaliado apenas pela quantidade de produtos lançados ou pela presença de determinados frameworks no currículo. É preciso entender como aquela pessoa identifica problemas, prioriza oportunidades, trabalha com Engenharia e Design, interpreta dados e toma decisões quando existem interesses conflitantes.

Duas pessoas podem ter ocupado o cargo de Product Manager pelo mesmo período e ter níveis muito diferentes de responsabilidade. Uma pode ter executado um roadmap definido por outras pessoas; outra pode ter participado ativamente da definição de estratégia, discovery e priorização. Por isso, recrutamento de Produto exige explorar contexto e processo decisório, não apenas entregáveis.

Em Dados, ferramenta e raciocínio também são coisas diferentes

Recrutamento para Dados traz um problema semelhante ao recrutamento Tech. SQL, Python, Power BI, Tableau, Spark ou ferramentas de cloud são importantes, mas novamente não contam a história inteira.

Dependendo da posição, pode ser muito mais relevante compreender como o profissional transforma uma pergunta de negócio em análise, estrutura hipóteses, trabalha com qualidade de dados, interpreta resultados ou comunica conclusões para pessoas que não possuem formação técnica. Para funções mais avançadas, o contexto muda novamente: Engenharia de Dados, Data Science, Analytics e liderança de Dados exigem competências diferentes e, portanto, critérios diferentes. O erro é tratar “Dados” como se fosse uma única profissão.

Design não pode ser avaliado apenas pelo portfólio bonito

O portfólio é uma ferramenta importante para recrutamento de Design, mas existe uma diferença enorme entre avaliar o resultado visual e compreender o processo que produziu aquele resultado.

Um bom case deveria ajudar a entender qual problema existia, quais restrições estavam presentes, qual foi a participação do profissional, quais hipóteses foram consideradas, como aconteceu a interação com Produto e Engenharia e quais decisões foram tomadas. Em posições de Product Design, por exemplo, a qualidade estética é apenas uma parte da avaliação. Entendimento do usuário, capacidade de simplificação, raciocínio de produto, colaboração e habilidade de trabalhar com restrições podem ser igualmente importantes. Mais uma vez, o contexto explica aquilo que o artefato isolado não consegue mostrar.

Quanto maior a senioridade, menos o título explica

Esse problema fica ainda mais evidente em posições de liderança. “Head”, “Director”, “VP” ou mesmo “C-level” podem representar escopos completamente diferentes dependendo do tamanho, estágio e estrutura da empresa.

Um Head de Tecnologia em uma startup de 30 pessoas pode ter uma responsabilidade muito diferente de alguém com o mesmo título em uma empresa de milhares de funcionários. Por isso, recrutamento de liderança exige compreender dimensões como tamanho do time, complexidade da operação, orçamento, nível de autonomia, participação na estratégia, relacionamento com conselho ou investidores, estágio de crescimento da empresa e tipo de transformação conduzida. Quanto maior a senioridade da posição, menos sentido faz avaliar apenas cargo anterior e tempo de experiência.

Recrutamento C-level começa pelo contexto do negócio

Em posições executivas, o alinhamento da vaga ganha ainda mais importância. Antes de procurar candidatos, é necessário entender o que a empresa realmente precisa resolver. Ela está crescendo rapidamente e precisa estruturar uma área? Está entrando em uma nova fase de eficiência? Precisa recuperar performance? Internacionalizar? Construir cultura? Fazer uma transformação tecnológica? Preparar uma nova etapa de investimento?

Dois executivos excelentes podem ser completamente diferentes em relação ao problema que sabem resolver. Por isso, Executive Search não deveria começar com uma lista de cargos-alvo. Deveria começar com uma compreensão clara do momento da empresa e do mandato daquele executivo. O candidato ideal não é simplesmente o mais experiente. É aquele cuja experiência é mais aderente ao desafio que precisa ser enfrentado.

O processo precisa mudar conforme a função

Existe uma tentação natural de padronizar recrutamento para ganhar eficiência. E padronização é importante, principalmente em operações maiores. O problema aparece quando padronização significa aplicar exatamente as mesmas etapas para todos.

Podemos padronizar princípios, critérios de qualidade, documentação, comunicação e acompanhamento de métricas. Mas o método de avaliação precisa se adaptar ao tipo de trabalho. Um desenvolvedor pode exigir profundidade técnica. Um Product Manager, capacidade de priorização e tomada de decisão. Um Designer, processo de construção e entendimento do usuário. Um profissional de Dados, capacidade analítica e relação com o negócio. Um executivo, contexto, liderança e histórico de transformação. A estrutura pode ser consistente. A avaliação não precisa ser idêntica.

Talent Acquisition precisa entender mais do negócio

Quanto mais especializada é a posição, menos o recrutador pode atuar apenas como intermediário entre candidato e gestor. Isso significa compreender a área suficientemente para fazer boas perguntas, questionar requisitos, identificar inconsistências no perfil e diferenciar experiência superficial de experiência realmente relevante.

Não significa que o recrutador de tecnologia precise programar ou que o recrutador de Produto precise ser Product Manager. Significa que ele precisa entender o suficiente para interpretar contexto. Essa é uma diferença importante entre recrutamento operacional e Talent Acquisition mais estratégico. O profissional deixa de simplesmente executar uma vaga e passa a participar da definição do problema de contratação.

Especialização e escala não são opostos

Existe também uma ideia de que processos especializados necessariamente precisam ser lentos e totalmente artesanais. Não precisam. Tecnologia e inteligência artificial podem ajudar muito na organização, triagem, identificação de sinais, documentação, comunicação e priorização de candidatos. Quanto mais claros forem os critérios específicos de cada família de posições, mais fácil fica utilizar automação sem empobrecer a avaliação.

O segredo está em não tentar transformar todas as funções em uma única fórmula. Escala vem de estruturar aquilo que pode ser estruturado e preservar profundidade justamente onde ela faz diferença.

Conclusão

Recrutamento especializado não é simplesmente encontrar pessoas que já ocuparam o mesmo cargo em outra empresa. É compreender o problema que a organização precisa resolver e buscar evidências de que determinado profissional possui repertório para enfrentá-lo.

Em Tech, isso pode significar profundidade técnica e contexto de engenharia. Em Produto, capacidade de decisão. Em Dados, raciocínio e impacto no negócio. Em Design, processo e compreensão do usuário. Em liderança e C-level, capacidade de operar determinado estágio e complexidade organizacional.

Por isso, quanto mais diferentes são as posições que uma empresa precisa contratar, mais importante se torna construir um Talent Acquisition capaz de adaptar a avaliação sem perder consistência.

Na e-volve.one, essa combinação entre recrutamento especializado, tecnologia e entendimento do contexto do negócio é parte central da forma como pensamos Talent Acquisition.

Porque, no fim, uma boa contratação não começa perguntando apenas: “Essa pessoa já fez esse trabalho?” Começa perguntando: “Em que contexto ela fez, com qual responsabilidade e o quanto essa experiência se parece com o problema que precisamos resolver agora?”

Airton Gaudenci
Escrito por Airton Gaudenci Cofundador da e-volve.one

Airton Gaudenci é cofundador da e-volve.one e atua há mais de 15 anos na interseção entre tecnologia, gestão, pessoas e negócios. Ao longo da carreira, construiu experiência em empresas de tecnologia e startups, atuando em posições de liderança e apoiando organizações em momentos de crescimento, estruturação e transformação. Com background originalmente técnico e uma trajetória que passou por recrutamento, Recursos Humanos e gestão executiva, Airton participou da construção e desenvolvimento de times em algumas das principais empresas do ecossistema brasileiro de tecnologia, além de atuar como advisor de startups. Desde 2017, dedica-se à construção da e-volve.one, onde trabalha com recrutamento especializado, Executive Search, estratégia de talentos e desenvolvimento de novas soluções que combinam tecnologia, inteligência artificial e experiência humana para repensar a forma como empresas encontram e escolhem profissionais.

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